A Casa da Don'Anna é Restaurada



Dona Anna Silva Telles foi a primeira moradora desta suntuosa residência centenária, projetada pelo renomado arquiteto Ramos de Azevedo, o mesmo responsável pela construção do Theatro Municipal de São Paulo.


Localizada no centro histórico da cidade, a Casa da Don'Anna é uma bela reminiscência da época de ouro dos barões do café. Construída em 1912, durante o auge da cafeicultura brasileira, a residência foi reformada em 1942, por Octaviano Alves de Lima, marido de Anna Silva Telles.


Nos detalhes das fotos acima, o belíssimo gradil de ferro, que coordena com o portão, e a escadaria de mármore da entrada principal da casa, elementos preservados da construção original.


Também permanece intacta a majestosa escadaria toda trabalhada em mármore, degraus e corrimão, com detalhes de arabescos em ferro no guarda corpo.


A característica arquitetônica de destaque da Casa da Don'Anna fica por conta do esplendoroso vitral em frente à escada, cujos elementos decorativos coordenam-se perfeitamente com o belíssimo trabalho em mosaico do piso logo abaixo, no hall de entrada da residência.


Após muitos anos fechada, a Casa da Don'Anna está prestes a reabrir suas portas ao público. A elegante mansão em estilo neoclássico passa por um minucioso trabalho de restauração, que preserva e ressalta a beleza arquitetônica deste valioso imóvel tombado como patrimônio histórico.


A residência continua pertencendo à família Alves de Lima e seus herdeiros pretendem transformá-la em um espaço cultural com múltiplas funções. Seus inúmeros aposentos serão disponibilizados para a realização de eventos dos mais diversos tipos, para serem utilizados como locações de filmagens, recintos para exposições e reuniões, dentre outros.


Além disso, como não poderia deixar de ser, a Casa da Don'Anna abrigará uma charmosa cafeteria, o Café Paulista, em alusão à empresa fundada em 1902 por Octaviano Alves de Lima, responsável pelo sucesso e popularização do café brasileiro em todo o mundo.


A Casa da Don'Anna é generosamente acolhida por jardins repletos de frondosas árvores centenárias. Neles, podemos encontrar palmeiras, jabuticabeiras e um abacateiro. O local está sendo preparado para abrigar o Jardim das Orquídeas, espaço cultural dedicado à comunidade orquidófila. Será um agradável ponto de encontro onde os amantes de orquídeas poderão encontrar belíssimos exemplares diretamente fornecidos por produtores idôneos e escolhidos a dedo, além de saborear um café em mesas espalhadas pelo jardim. O espaço contará ainda com um charmoso terraço, integrado à casa e de frente para o jardim, com capacidade para 50 pessoas, onde serão ministrados cursos e palestras sobre o cultivo de orquídeas.

As fotos que ilustram esta matéria são de autoria do orquidófilo Yoshio Sano.





Arte em vidro - Ovo de ouro


Escultura em vidro do artista plástico Jack Storms
Escultura em vidro do artista plástico Jack Storms

O vidro vem sendo manipulado e moldado pelo homem ao longo de milênios. Pequenas obras de arte em vidro já eram produzidas por civilizações que habitavam as regiões entre os rios Tigre e Eufrates, na antiga Mesopotâmia.

Após atravessar séculos marcando presença nas culturas egípcia, fenícia, grega e romana, a arte em vidro encontrou seu apogeu em meio aos canais da Sereníssima República de Veneza, Itália, já no século XVIII. A partir deste momento histórico, as esculturas em vidro de Murano ganharam o mundo todo e são, ainda hoje, referência de beleza, bom gosto e sofisticação.

As esculturas em vidro clássicas costumam ser obtidas a partir de grãos de areia fundidos sob altíssimas temperaturas. Na contramão desta tradição, vem ganhando espaço a técnica de esculpir o vidro a frio. Um dos mais renomados artistas especializados nesta arte é o californiano Jack Storms. 

As peças deste artista plástico nascem a partir de pequenos blocos de vidro, que são cuidadosamente cortados, laminados e lapidados à exaustão. Depois deste processo, os fragmentos são unidos com uma cola especial, completamente transparente, para então serem novamente cortados e lapidados. Todo o processo é realizado em temperatura ambiente, não há calor envolvido.

A construção destas peças não é aleatória. Jack Storms vale-se das relações estabelecidas pela sequência de Fibonacci, concebida pelo matemático italiano de mesmo nome, para dar vida e forma a cada uma de suas esculturas óticas. Devido à qualidade do material utilizado, geralmente o cristal ótico e o vidro dicroico, o resultado é uma obra de arte que extrapola as três dimensões, refletindo e refratando a luz em todas as direções, desmembrando-a em todos os componentes do espectro visível.

Dentre as inúmeras belíssimas esculturas em vidro criadas por Jack Storms, está o ViviOvo D´Oro, cuja foto ilustra este artigo. Trata-se de um hipnotizante ovo de cristal contendo fragmentos de ouro, ricamente esculpido e cujo interior foi milimetricamente lapidado. A peça foi batizada pela esposa do escultor, Vivian, que é brasileira.



Quando as orquídeas se vão


Orquídea sapatinho
Orquídea sapatinho

Desde pequeno, tenho um medo irracional de perder coisas e pessoas. Mal conseguia entender como se ganhava dinheiro e já tinha pavor de ficar pobre. Com relação a objetos, tenho uma índole acumuladora, assim como minha mãe, muito embora me esforce continuamente no sentido de adotar um estilo de vida mais minimalista. Foi com muita obstinação que me livrei de várias quinquilharias que vinha guardando há décadas.

Neste contexto, foi de extrema importância participar do projeto Desapegão, concebido e levado a cabo pelo jornalista Márcio Oyama, do blog 365. Embora não tenha adquirido nenhuma peça nova de roupa durante o ano passado, acabei me desfazendo de uma pequena montanha de vestuário e calçados. Foi uma incrível sensação de alívio e dever cumprido. Apenas fiquei com pena de quem eventualmente tenha recebido as doações, já que muitas peças, embora em bom estado, somente teriam sido apropriadas no milênio passado.

Frente a este background, não é de se espantar que minha relação com as orquídeas que cultivo no apartamento seja das mais complicadas. Logo que comecei a colecioná-las, passei por um surto consumista sem precedentes. Com a nobre desculpa de que se tratava de um aprendizado, adquiria orquídeas loucamente, quer seja em exposições, garden centers, feiras, pela internet e até no supermercado. Andava pela rua olhando para cima, na esperança de ver alguma orquídea encarapitada nas árvores da vizinhança. Também lançava olhos cobiçosos em direção às orquídeas dos condomínios da redondeza. Uma vergonha...

Só não fui à falência porque, muito cedo, descobri que não era tão trivial cuidar de orquídeas, principalmente em apartamento. Mal dava conta de uma mini samambaia. No início, tudo o que eu sabia era que existia orquídea branca, orquídea amarela, pintadinha, coisas do tipo. Junto com a fama de louca das orquídeas, fui construindo o perfil de serial killer destas pobres criaturas.

Por não saber como cultivar orquídeas apropriadamente, decidi parar de comprá-las, até que a mortandade estancasse. Foi um período extremamente importante de aprendizado, que comecei a compartilhar no blog Orquídeas no Apê e não parei mais.

Hoje, confesso que ainda mato uma quantidade considerável de orquídeas, mas coloco a culpa na varanda do apartamento que, definitivamente, não é o local ideal para cultivá-las. Só o faço por teimosia. Com tantas condições adversas, é sempre uma dor quando alguma flor parte, como é o caso da orquídea sapatinho na foto de abertura deste artigo, fazendo a lady vintage. Apesar da tristeza, sigo acreditando que minha vida tornou-se infinitamente melhor na companhia destas plantas. Além disso, com as orquídeas, temos sempre a esperança de que elas retornem no ano seguinte.