Arte em vidro - Ovo de ouro


Escultura em vidro do artista plástico Jack Storms
Escultura em vidro do artista plástico Jack Storms

O vidro vem sendo manipulado e moldado pelo homem ao longo de milênios. Pequenas obras de arte em vidro já eram produzidas por civilizações que habitavam as regiões entre os rios Tigre e Eufrates, na antiga Mesopotâmia.

Após atravessar séculos marcando presença nas culturas egípcia, fenícia, grega e romana, a arte em vidro encontrou seu apogeu em meio aos canais da Sereníssima República de Veneza, Itália, já no século XVIII. A partir deste momento histórico, as esculturas em vidro de Murano ganharam o mundo todo e são, ainda hoje, referência de beleza, bom gosto e sofisticação.

As esculturas em vidro clássicas costumam ser obtidas a partir de grãos de areia fundidos sob altíssimas temperaturas. Na contramão desta tradição, vem ganhando espaço a técnica de esculpir o vidro a frio. Um dos mais renomados artistas especializados nesta arte é o californiano Jack Storms. 

As peças deste artista plástico nascem a partir de pequenos blocos de vidro, que são cuidadosamente cortados, laminados e lapidados à exaustão. Depois deste processo, os fragmentos são unidos com uma cola especial, completamente transparente, para então serem novamente cortados e lapidados. Todo o processo é realizado em temperatura ambiente, não há calor envolvido.

A construção destas peças não é aleatória. Jack Storms vale-se das relações estabelecidas pela sequência de Fibonacci, concebida pelo matemático italiano de mesmo nome, para dar vida e forma a cada uma de suas esculturas óticas. Devido à qualidade do material utilizado, geralmente o cristal ótico e o vidro dicroico, o resultado é uma obra de arte que extrapola as três dimensões, refletindo e refratando a luz em todas as direções, desmembrando-a em todos os componentes do espectro visível.

Dentre as inúmeras belíssimas esculturas em vidro criadas por Jack Storms, está o ViviOvo D´Oro, cuja foto ilustra este artigo. Trata-se de um hipnotizante ovo de cristal contendo fragmentos de ouro, ricamente esculpido e cujo interior foi milimetricamente lapidado. A peça foi batizada pela esposa do escultor, Vivian, que é brasileira.



Quando as orquídeas se vão


Orquídea sapatinho
Orquídea sapatinho

Desde pequeno, tenho um medo irracional de perder coisas e pessoas. Mal conseguia entender como se ganhava dinheiro e já tinha pavor de ficar pobre. Com relação a objetos, tenho uma índole acumuladora, assim como minha mãe, muito embora me esforce continuamente no sentido de adotar um estilo de vida mais minimalista. Foi com muita obstinação que me livrei de várias quinquilharias que vinha guardando há décadas.

Neste contexto, foi de extrema importância participar do projeto Desapegão, concebido e levado a cabo pelo jornalista Márcio Oyama, do blog 365. Embora não tenha adquirido nenhuma peça nova de roupa durante o ano passado, acabei me desfazendo de uma pequena montanha de vestuário e calçados. Foi uma incrível sensação de alívio e dever cumprido. Apenas fiquei com pena de quem eventualmente tenha recebido as doações, já que muitas peças, embora em bom estado, somente teriam sido apropriadas no milênio passado.

Frente a este background, não é de se espantar que minha relação com as orquídeas que cultivo no apartamento seja das mais complicadas. Logo que comecei a colecioná-las, passei por um surto consumista sem precedentes. Com a nobre desculpa de que se tratava de um aprendizado, adquiria orquídeas loucamente, quer seja em exposições, garden centers, feiras, pela internet e até no supermercado. Andava pela rua olhando para cima, na esperança de ver alguma orquídea encarapitada nas árvores da vizinhança. Também lançava olhos cobiçosos em direção às orquídeas dos condomínios da redondeza. Uma vergonha...

Só não fui à falência porque, muito cedo, descobri que não era tão trivial cuidar de orquídeas, principalmente em apartamento. Mal dava conta de uma mini samambaia. No início, tudo o que eu sabia era que existia orquídea branca, orquídea amarela, pintadinha, coisas do tipo. Junto com a fama de louca das orquídeas, fui construindo o perfil de serial killer destas pobres criaturas.

Por não saber como cultivar orquídeas apropriadamente, decidi parar de comprá-las, até que a mortandade estancasse. Foi um período extremamente importante de aprendizado, que comecei a compartilhar no blog Orquídeas no Apê e não parei mais.

Hoje, confesso que ainda mato uma quantidade considerável de orquídeas, mas coloco a culpa na varanda do apartamento que, definitivamente, não é o local ideal para cultivá-las. Só o faço por teimosia. Com tantas condições adversas, é sempre uma dor quando alguma flor parte, como é o caso da orquídea sapatinho na foto de abertura deste artigo, fazendo a lady vintage. Apesar da tristeza, sigo acreditando que minha vida tornou-se infinitamente melhor na companhia destas plantas. Além disso, com as orquídeas, temos sempre a esperança de que elas retornem no ano seguinte.

Mini Samambaia Havaiana


Mini samambaia havaiana
Mini samambaia havaiana

As samambaias, também conhecidas como fetos, devido ao aspecto característico dos seus brotos em desenvolvimento, são plantas pteridófitas que habitam o planeta há centenas de milhões de anos. Registros fósseis já indicavam a presença de seus ancestrais durante o período Carbonífero. 

De tão antigas, as samambaias são reminiscentes de uma época em que as plantas ainda não sabiam produzir flores nem sementes. São plantas assexuadas, que se reproduzem através de esporos.

As samambaias já foram as estrelas da decoração de casas e jardins, principalmente durante as décadas de 1970 e 1980. Lembram, ainda hoje, os lares de nossas mães, tias e avós. Após terem caído em desuso durante algum tempo, estão voltando à cena nesta primeira década do novo milênio. Hoje, já é possível encontrar projetos assinados por renomados paisagistas e decoradores que incluem samambaias das mais diferentes espécies e tamanhos.

Neste contexto, eis que vem ganhando espaço uma simpática mini samambaia, ainda não muito conhecida do consumidor brasileiro. Trata-se da samambaia havaiana, pertencente à espécie Nephrolepis exaltata.

A mini samambaia havaiana surgiu a partir de uma mutação genética de uma variedade cultivada nos Estados Unidos, a samambaia de Boston. Ao contrário de suas primas frondosas e enormes, a samambaia havaiana é conhecida por seu porte compacto e felpudo. Esta miniatura de samambaia é perfeita para ser cultivada dentro de casas e apartamentos, até mesmo em escritórios com luz artificial.

Mini samambaia havaiana
Mini samambaia havaiana

O cultivo da mini samambaia havaiana é bastante tranquilo. Basicamente, esta planta cresce no mesmo ambiente em que nós, seres humanos, sentimo-nos confortáveis. Esta pequena samambaia gosta de locais sombreados, com uma luminosidade indireta, sem muito sol nem calor. Também não aprecia vento constante, o que a torna ideal para ser cultivada em interiores.

A rega da mini samambaia havaiana deve ser esporádica, apenas quando o vaso estiver leve, ou seja, seco. Esta planta aprecia uma boa umidade relativa do ar, mas não pode ficar encharcada por muito tempo. O solo precisa ser bem drenado, rico em material orgânico. É importante lembrar que, nos dias de hoje, não se cultivam mais samambaias em xaxim, uma vez que a planta que produz este material encontra-se sob risco de extinção. Um bom substrato para plantar samambaias deve conter partes iguais de terra comum, terra rica em material orgânico, como húmus e cascas de árvores, e areia.

A forma mais rápida de se reproduzir a mini samambaia havaiana é através da divisão do rizoma. A multiplicação através dos esporos é mais demorada e difícil de ser alcançada.  A preocupação que muitos têm é se a planta fica grande, com o tempo. Esta variedade, em particular, é miniaturizada geneticamente, o que significa que jamais ficará com as folhas enormes, pendentes, como as samambaias que costumamos observar.

Por ser uma planta de estimação, própria para conviver com todos dentro de ambientes internos, muitos se perguntam se a mini samambaia havaiana é tóxica quando ingerida. Embora existam pteridófitas tóxicas para crianças e pequenos animais, esta samambaia em especial não apresenta maiores riscos se ingerida acidentalmente. Claro que é sempre recomendável evitar estes incidentes.

Todas estas características tornam a mini samambaia havaiana ideal para a decoração de interiores, principalmente em espaços pequenos como apartamentos. Uma pequena escultura felpuda que vale a pena ter como companhia.