Cristal de chumbo - Leveza e sofisticação


Bombonière em cristal de chumbo
Bombonière em cristal de chumbo

É comum depararmo-nos com dúvidas a respeito das diferenças entre vidro, cristal e cristal de chumbo. Tecnicamente falando, o cristal é todo material constituído por átomos e moléculas altamente ordenados, com elevado grau de simetria, arranjados em uma estrutura cristalina. São exemplos clássicos de cristais o gelo, o quartzo e o diamante. Na verdade, a palavra cristal deriva do grego krustallos, que justamente pode significar gelo ou quartzo. 

O vidro, por sua vez, é um material sólido e amorfo, constituído basicamente por sílica, que é o dióxido de silício, presente na areia. Há ainda a adição de uma série de sais, em composições e concentrações variáveis. Uma vez fundidas e resfriadas, estas substâncias dão origem às peças delicadas e transparentes, que conhecemos como vidro. Esculpida e trabalhada, esta mistura vítrea pode dar origem a refinados utensílios e objetos de decoração, tais como aqueles forjados pelos venezianos de Murano.


Bombonière em cristal de chumbo
Bombonière em cristal de chumbo

Existem ainda as peças popularmente conhecidas como cristais, tais como taças, vasos e bombonières, que são, na realidade, vidro de alta qualidade e transparência. Não são cristais verdadeiros porque sua estrutura é amorfa e não cristalina. Ao vidro comum são adicionados sais metálicos, particularmente o óxido de chumbo, em concentrações que variam de 10 a 25%, que conferem à massa vítrea maior densidade, transparência e brilho. São estas características físico-químicas que distinguem os 'cristais vidros' dos vidros comuns, diferenças estas que refletem no valor final das peças.

Além disso, é justamente esta maior dureza e densidade do cristal que permitem que as paredes das taças e vasos produzidos com este material sejam mais finas, melhor polidas e lapidadas, produzindo assim o som musical característico ao serem tocadas.

Por fim, as peças em cristal de chumbo são aquelas produzidas com vidro de alta qualidade, matéria prima selecionada e em cuja composição entram os níveis máximos de óxido de chumbo, geralmente em concentrações ao redor de 25%. Como resultado, temos um material mais pesado, de maior densidade e transparência, que apresenta um brilho superior em relação ao vidro ou 'cristal vidro' comuns.

A bombonière em cristal de chumbo, que ilustra este artigo, foi um presente especial do casal Magali Rodrigues e Marcelo Bemquerer aos meus pais. Na ocasião, também ganhei um belíssimo livro sobre a orquídea Vanilla, que produz a baunilha.

4 comentários:

  1. São fascinantes, os cristais. Pela sua beleza transparente e pela arte da lapidação, que os transforma em verdadeiras joias. Uma dúvida: a concentração de óxido de chumbo é proporcional à qualidade do cristal? Adorei o texto!

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    1. Tudo bem, Alexia? De fato, admiro bastante esta arte! Isso mesmo, quanto maiores os níveis de óxido de chumbo, melhor é a qualidade do cristal.

      Fico feliz por saber que gostou, muito obrigado pelo apoio, sempre!

      Um grande abraço!

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  2. Que interessante! Não sabia nada sobre isso.

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    1. Oi, Eduardo! Eu gosto bastante do assunto, também estou sempre aprendendo. Muito obrigado pela visita e pelo comentário!

      Um grande abraço!

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