A Festa das Cerejeiras


Sakura - Flor de Cerejeira
Sakura - Flor de Cerejeira

Todos os anos, durante um curto período de poucos dias, o desabrochar de uma flor torna-se o centro das atenções, ganhando uma série de festejos em várias partes do mundo. A homenageada é a sakura, a flor da cerejeira.

O costume de apreciar e reverenciar a floração das cerejeiras remonta a uma época anterior ao Japão feudal, muito antes de surgirem os primeiros samurais. Em 710 d.C., durante a Era Nara da história japonesa, os nobres já dedicavam um tempo apenas à contemplação do desabrochar da sakura, em um festejo denominado hanami.

A festa das cerejeiras não somente atravessou os séculos como também espalhou-se para várias partes do mundo. Aqui no Brasil, os eventos dedicados à observação desta belíssima floração concentram-se no final do inverno, início da primavera. 

Há mais de 40 anos, imigrantes japoneses trouxeram mudas de cerejeiras para o Brasil, plantando na cidade de São Paulo o maior bosque de sakura do país. São 1.500 árvores do gênero Prunus serrulata, de três diferentes variedades: 'Ikiwari', 'Okinawa' e 'Himalaya'. Após um longo processo de aclimatação, o bosque das cerejeiras vem florescendo todos os anos, pontualmente nos meses de julho e agosto, proporcionando um espetáculo memorável a quem comparece ao festival.

A Festa das Cerejeiras é organizada anualmente pela Federação Sakura e Ipê do Brasil, entidade sem fins lucrativos responsável pela manutenção do bosque. Periodicamente, são trazidos especialistas do Japão para a verificação do estado de saúde das árvores, que sofrem mais devido às diferenças climáticas e ao ataque de pragas.


Berçário de suculentas


Berçário de suculentas
Berçário de suculentas

Uma atividade pela qual sou apaixonado, desde pequeno, é a de acompanhar o crescimento das plantas, desde o início. Sempre fui louco por plantar sementes, de qualquer coisa. Quando descobri que novas mudas de plantas suculentas poderiam ser originadas a partir de simples folhas, fiquei obcecado.

Forrei um pequeno recipiente de vidro com musgo sphagnum, o mesmo que utilizo para cultivar orquídeas. Este leito também pode ser preparado com areia ou uma mistura de terra vegetal e areia, em partes iguais. Os americanos costumam comprar solos próprios para o cultivo de suculentas, que consistem em misturas bastante aeradas e de rápida drenagem, geralmente com perlita.

O mais interessante desta técnica de propagação é que as matrizes não são perturbadas. Naturalmente, com o passar do tempo, a planta mãe tende a perder algumas das folhas mais antigas. Muitas vezes, elas caem no solo e brotam espontaneamente. Alternativamente, podemos destacar uma ou duas folhas da parte inferior da planta, sem maiores danos à mesma.

No meu caso, as plantas suculentas da coleção da minha mãe foram as doadoras. É aconselhável que as folhas separadas permaneçam em um local sombreado, bem ventilado e seco, por um período de três dias a uma semana, antes de serem introduzidas no berçário. Este procedimento visa dar tempo para que a lesão causada pela separação da planta mãe seja cicatrizada, diminuindo os riscos de um apodrecimento prematuro das folhas.

A manutenção é um pouco diferente da requerida por uma planta suculenta adulta. O berçário deve receber uma fina borrifada de água sempre que o substrato estiver seco. No calor, este procedimento acaba sendo diário.

Após poucos dias de cultivo, já é possível observar que algumas folhas começam a emitir raízes, no berçário. Ao longo das próximas semanas, novas minúsculas mudas começarão a surgir. Vou mantê-los informados sobre o andamento do processo, em artigos aqui no blog. É fato que, nem sempre, todas as tentativas serão bem-sucedidas. Mas, independentemente do sucesso ou não do experimento, é sempre um prazer observar o desenrolar do plantio. Eu olho a todo instante, já que o berçário está no meu quarto, ao lado do computador. É uma terapia bastante agradável, vale a pena experimentar!

A grande maioria das plantas suculentas pode ser propagada através de suas folhas. A seguir, deixo uma relação com dicas de suculentas interessantes para quem está iniciando, por serem resistentes e de fácil cultivo:





Arte floral no gelo - Azuma Makoto




Azuma Makoto tem apenas 41 anos e já é considerado um dos maiores artistas florais do Japão. Além de ser um inspirado florista, ele vai além e transforma seus arranjos em instalações complexas e inusitadas, verdadeiras obras de arte. É de sua autoria, por exemplo, a performance de enviar bouquets de flores para o espaço e lá fotografá-los.




Em meio à sua produção artística, uma série de instalações que admiro bastante consiste na incrustação de imensos arranjos florais em blocos translúcidos de gelo. Poucos se dão conta, mas se simplesmente congelarmos a água, obteremos peças turvas de gelo. Azuma Makoto valeu-se de sofisticados equipamentos industriais para congelar seus arranjos, de modo a obter gigantescos paralelepípedos com o maior nível de transparência possível.




Foi inspirado por estas fantásticas instalações que decidi congelar orquídeas em final de floração, utilizando uma técnica caseira e um tanto quanto improvisada. Após cultivar uma orquídea por anos até ver sua primeira floração, não tenho coragem de simplesmente cortar a flor para montar um arranjo. Espero até o final do processo, quando a flor já começa a dar indícios de que vai murchar, para só então retirá-la e congelá-la. É uma tentativa de conservar e prolongar sua beleza.




Durante os desfiles da temporada primavera/verão 2017 da Paris Fashion Week, Azuma Makoto uniu-se ao estilista belga Dries Van Noten para criar um ambiente de sonho e fantasia na passarela. 




As peças da coleção foram apresentadas por modelos que percorriam uma majestosa trajetória flanqueada por colunas de gelo, nas quais encontravam-se enclausurados belíssimos arranjos de flores, verdadeiras esculturas etéreas.




O artista floral viajou de Tóquio a Amsterdã, para escolher as espécies que fariam parte do desfile. Aproximadamente 100 variedades de flores, muitas delas raras, foram reunidas em 23 diferentes arranjos. Estes, por sua vez, foram remetidos à Bélgica, para serem congelados em uma fábrica especializada. De lá, finalmente, viajaram em caminhões refrigerados até Paris, onde abrilhantaram o desfile de Van Noten.




Na concepção de Azuma Makoto, as flores tornam-se ainda mais bonitas imersas nos cubos de gelo, à medida que interagem com a luz e as bolhas de ar. Mais do que simplesmente servirem como decoração, as esculturas de flores congeladas fazem parte do espetáculo, interagindo com as roupas e modelos, ao mesmo tempo em que os blocos de gelo gradualmente derretem na passarela.