Tulipas vermelhas, gotas de sangue real


Tulipas vermelhas
Tulipas vermelhas

Há séculos, as flores vermelhas são admiradas por sua exclusividade e beleza. Particularmente, adoro uma orquídea vermelha. Mas rosas e tulipas encontram-se bem posicionadas na minha lista, sempre.

As clássicas tulipas vermelhas são frequentemente associadas à representação de um amor perfeito. Segundo uma antiga lenda turca, um príncipe chamado Farhad encontrava-se perdidamente apaixonado pela donzela Shirin. Ao descobrir que sua amada havia morrido, cavalgou desesperadamente em direção a um precipício, de onde despencou. Segundo este conto, cada gota de sangue real transformou-se em uma tulipa vermelha.

Esta flor de beleza incomum pertence à família Liliaceae, sendo originária de regiões da Eurásia e Norte da África. A tulipa é típica de terras que pertenceram ao antigo Império Persa, onde seu cultivo foi iniciado, ainda no décimo século. Foi uma flor bastante comercializada durante o Império Otomano, sendo até hoje presente na Turquia, como espécie nativa.

Com sua introdução na Europa Ocidental, via Amsterdam e Antuérpia, as tulipas espalharam-se pelo mundo, tornando-se uma febre entre os cultivadores. Durante o século XVII, tomou conta da Holanda a tulip mania, quando bubos de tulipas tornaram-se mercadorias valiosíssimas. Um único bulbo podia ser vendido por dez vezes o salário anual de um artesão experiente. O fato é que estes valores eram ilusórios, fruto de uma bolha que, fatalmente, acabou estourando e gerando uma grave crise financeira. Algo semelhante ocorre no mercado de orquídeas da espécie Cattleya walkeriana, atualmente.

Tulipas vermelhas
Tulipas vermelhas

Por ser uma planta originária de regiões mais frias, é bastante difícil cultivar a tulipa em solo brasileiro. A produção comercial ocorre a partir de bulbos trazidos da Holanda e mantidos em câmaras com temperatura controlada. A cidade de Holambra, no estado de São Paulo, é especialista no cultivo desta flor. 

Quando minha mãe ganhou estas tulipas vermelhas do meu irmão, Márcio Oyama, seguiu à risca as recomendações para conservar a flor por mais tempo. Colocou o vaso em um local bem ventilado, protegido do sol direto e adicionou pedras de gelo à terra, para amenizar o calor. E lá ficaram as tulipas, belas e floridas.

Após o término da floração, eu, muito esperto, resolvi desenterrar os bulbos, limpá-los e colocá-los na geladeira. Estava disposto a tentar fazê-los florescerem novamente. O fato é que me esqueci completamente dos coitados. Muito tempo depois, perguntei à minha mãe sobre o paradeiro dos bulbos de tulipa e ela informou-me que haviam passado desta para melhor, em um passado já distante. Ali terminou mais um experimento desastroso no apê.