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Entrevista com Ananda Apple


Ananda Apple
Ananda Apple

Convidei mais uma vez a jornalista Ananda Apple para dar uma entrevista, desta vez aqui neste novo espaço. Eu esperava conhecer algumas dicas de beleza, detalhes de preparação nos bastidores, coisas do tipo. Mas o que recebi foram diversas aulas sobre jornalismo televisivo, minimalismo, sustentabilidade, simplicidade voluntária e solidariedade. Além, é claro, de valiosas informações sobre moda e maquiagem para se apresentar diante das câmeras.

São ensinamentos vindos de uma profissional extremamente competente e generosa, há 18 anos no comando do Quadro Verde, exibido semanalmente no Bom Dia São Paulo, da Rede Globo, também colunista da Revista Casa e Jardim, e sempre produzindo diversas outras reportagens para a televisão.

B.A.  Como se dá a sua preparação, em termos de maquiagem e figurino, para a apresentação das suas matérias?

A.A. Repórteres trabalham na rua e não têm as facilidades das apresentadoras - que são preparadas por ótimos profissionais no camarim. A gente chega, pega a pauta e tem que sair correndo. Ou chega pronta ou faz com o carro andando. 

E tem que parecer razoável no calor de 38 graus e na chuva. Acho que isso é o mais difícil. Suo demais e o cabelo de qualquer mulher se detona na umidade. 

B.A. Existe algum segredo para estar tão bonita e descansada, ao vivo, tão cedo de manhã?

A.A. Eu me maquio em casa, em torno de 4h30 da manhã, um pouco antes de entrar na televisão, às 5h. Portanto, uso base só nas laterais para disfarçar manchas da gravidez e pó. Depois, o risco no olho (que erro sempre) e uma sombra para dar profundidade. Não enxergo mais direito, uso lente. Um olho enxerga perto e outro longe. Então, um dos olhos sai sempre torto... 

Mas minha pele engana bem para a idade que eu tenho. A dermato disse para eu agradecer pela pele oleosa na zona T. Então, apesar de não usar quase nunca hidratante ou filtro solar (no dia a dia), porque sempre melecam ou brilham, apesar de as propagandas prometerem o tal efeito matte, minha pele parece ainda razoável.  Evito o rímel porque no verão sempre escorre.

Não tenho muitas roupas e meu estilo é mega básico. Nos últimos anos, trabalho quase sempre de jeans que, em geral, uso uma semana inteira por convicção, para evitar desperdício de água. Só deixo arejando.

A parte de cima são blusinhas de uma só cor e leves. Porque morro de calor. Sou a repórter anti-blazer. Sobreposições acho bonito mas só para as muito magras e friorentas. Só uso casacos quando está abaixo de 21 graus. 

Camisas amassam demais para quem precisa entrar e sair do carro de reportagem muitas vezes. E o cinto de segurança amassa ainda mais. Fica feio no ar. 

A gente tem que tomar cuidado com excessos que tiram a atenção do telespectador ou tecidos que 'vibram' na tv, como xadrezes, bolinhas e listados. Não pode usar estampas, rendas, transparências, ombro de fora, brincões. Temos que estar neutras mas bem compostas. Que se possa entrevistar uma autoridade com adequação e ao mesmo tempo se possa entrar no barraco sem parecer madame ou constranger. Saltinhos e saias não dá, porque talvez seja necessário correr ou pular algum obstáculo, por exemplo, nunca se sabe o que pode acontecer na rua. 

B.A. Que itens de beleza a acompanham durante a realização de suas reportagens?

A.A. Na minha bolsa só levo o básico - pó compacto que repasso muitas vezes e batom cor de boca. Tem vezes que queria ter um secador para ajeitar o cabelo nos dias quentes. O calor é o que mais me atrapalha. Mais indispensáveis que os itens de beleza, para mim, são caneta, celular, minha prancheta e remédio pra enxaqueca. 

B.A. Há uma preocupação com a aparência e o passar dos anos? Há alguma cobrança devido à sua profissão?

A.A. A idade mudou o tamanho da minha caixinha de maquiagem. Nos anos 80, eu saía de cara lavada e usava na rua só blush e batom. O blush durou uns 10 anos! Hoje levo quase 15 minutos me maquiando em casa, até porque não retoco na rua. E aí surge a necessidade de disfarçar o que está pior, dando mais vida aos olhos. Assim que chego em casa, tiro tudo. Me sinto leve. 

E quando não estou trabalhando, só uso um lápis de olho, um pouco de pó e batom. Parece libertador. 

Você diz que pareço descansada de manhã cedo. Mas durmo muito pouco - até tudo acalmar em casa, as tarefas, as filhas e eu relaxar um pouquinho vendo uma série boa, leva tempo. Acabo dormindo em média 4 horas. Não fico com cara de sono e amassada por um milagre ou porque talvez meu ritmo seja matutino. Prefiro sempre trabalhar pela manhã e ter a tarde livre. Mas muitas vezes o preço é a enxaqueca. 

Talvez a boa impressão venha de uma felicidade pelo simples. Me basta estar em paz, as meninas com saúde, a casa em silêncio, limpinha, um bom filme, escurinho e frio. Ou uma música no fone de ouvido na hora de dormir. Isso já me faz feliz.  

A cobrança da tv sobre a aparência não é explícita, e sim implícita na minha função. Eles sabem que após 30 anos de exposição na tela tenho total domínio do que é adequado visualmente. Não posso estar desleixada, mal vestida, com unhas roídas ou vermelhonas, com sutiã aparecendo, perna de fora, calça apertada. O adequado é o simples, elegante e que não interfira na reportagem. Não estou ali para ser uma estrela, mas um veículo para a reportagem. Talvez tenha mais a ver com postura. Algo que, se não a vocação, a maturidade te traz. E esta medida a gente conhece com o tempo. 

Mas a gente tem que parecer visualmente agradável ao telespectador, o que também é um recurso para captar a atenção. Câmeras são cada vez mais implacáveis e hoje mostram o fundo dos poros. Veem o que o olho humano não vê. Comedimento e truques de maquiagem são tudo. Na tela em HD, vejo que as rugas são mais marcadas do que enxergo no meu espelho de madrugada. Então todo ano vou na minha dermato e pago uns lasers pra disfarçar manchas, produzir mais colágeno, estas coisas que a propaganda promete. Ou eles funcionam de alguma forma ou sou uma crédula cheia de fé na tecnologia! 

B.A. Qual é a sua postura, em relação às suas filhas, quanto ao consumismo, às vezes estimulado pelos gurus de moda e beleza, principalmente das redes sociais?

A.A. Minhas filhas e consumismo? Talvez este seja um dos maiores legados que quero deixar para elas, além de princípios e educação. Você já viu que não sou nada consumista, sou rotineira e rainha do pouco. Tenho só uma bolsa, repito milhões de vezes as mesmas roupas, uso sapatos até o sapateiro não dar mais conta. Entrei há anos na fase de dar, de me desfazer das coisas. Quanto menos melhor. Quanto mais espaços vazios, mais liberdade. 

Penso mil vezes se preciso mesmo de algo e ensino as duas a refletirem sobre isso. É desejo, necessidade, modismo? Vai usar muito ou pouco? Justifica o preço? Não é por sovinice. Mas porque não dá mais para a Terra produzir tanto, a gente usar tão pouco, acumular tanto. Odeio o usa e joga fora. 

Minhas filhas têm 14 anos, gostam de ver tutoriais de maquiagem na internet como toda adolescente. Têm suas maquiagens, que mais ganharam de outras pessoas do que de mim. Eu dou o básico - higiene pessoal, algum corretivo. As roupas necessárias e algum desejo especial, como uma blusinha diferente. Elas não são pidonas. E se algo estraga, elas me dão e eu arrumo ou costuro, não jogo fora. Se elas ganham 8 roupas de aniversário das amigas, sempre instigo a darem o mesmo tanto. A gente ajuda meninas numa comunidade perto de casa que desde pequenas quase que só usam o que era das minhas filhas. 

Acho o consumismo uma tragédia do nosso tempo. Prefiro sempre ter pouco e de boa qualidade e acho sábio e elegante usar as coisas, se possível, a vida inteira.


B.A. Confesso que fiquei emocionado ao ler as respostas da Ananda às perguntas aqui formuladas. Eu já sabia de seus gestos de generosidade, mas foi surpreendente ler suas opiniões a respeito de consumo, meio ambiente e vaidade, entre outros temas. São posições com as quais compactuo, hábitos que admiro e conceitos que estão bastante arraigados na nossa família. Meus irmãos, também blogueiros, escrevem bastante sobre estes temas, sobre doar, ter menos e viver mais. Adorei a entrevista e só posso deixar meu muitíssimo obrigado à Ananda Apple pelo carinho e atenção, mais uma vez!

Entrevista com Patricia Oyama


Patricia Oyama
Patricia Oyama

A entrevistada de hoje publicou seu primeiro livro aos 12 anos de idade. Escrito e ilustrado por ela, 'Um Dinossauro no Século XX' já dava mostras de seu dom com as palavras. Aliando este talento a uma tradição familiar, Patricia Oyama abraçou a carreira jornalística, passando por importantes publicações como a revista Elle. Atualmente, é diretora de redação da Revista Casa e Comida, irmã mais nova da Revista Casa e Jardim, ambas conceituadas publicações da Editora Globo.

Em meio a seus inúmeros afazeres como profissional, mãe e dona de casa, Patricia gentilmente aceitou falar um pouco sobre alguns assuntos relacionados ao seu universo, tais como beleza e culinária.

B.A. Como você faz para estar sempre bonita e elegante, em meio a tantos compromissos à frente da revista, em casa e com os filhos?

P.O. Ah, eu não sei se consigo estar sempre bonita e elegante, não! E ainda por cima gosto de dormir o máximo de tempo possível, então, estou sempre correndo de manhã, não tenho tempo para ficar caprichando muito na produção. Acho que tenho sorte porque meu cabelo não dá trabalho, não preciso fazer escova, chapinha, essas coisas. Sou bem básica.

B.A. Existe algum produto de beleza do qual você não abra mão, no dia a dia? 

P.O. Uso bem pouca maquiagem: filtro solar, lápis e uma sombrinha pra escurecer a sobrancelha. Às vezes passo um BB cream. Se tenho que ir a algum evento no dia, gasto um pouco mais de tempo: passo um primer, uma base e rímel. Tinha planos de caprichar mais no make depois dos 40, mas a vontade de dormir até mais tarde fala mais alto!

B.A. Na vida pessoal, como são os pratos e a arrumação da mesa, quando recebe visitas? 

P.O. Gosto muito de cozinhar. Se vou receber alguém que nunca veio em casa antes, geralmente faço pratos que já preparei outras vezes e sei que costumam agradar. Sempre pergunto se a pessoa tem alguma restrição alimentar – mas mesmo assim é bom ter um filé e uma massa à mão, nunca se sabe. Uma vez, fiz um curry de camarão e o convidado tinha alergia à canela. Era só uma pitadinha, mas ele felizmente percebeu antes de comer. Preparei um bife para ele. Se tem uma coisa que sei fazer bem é fritar bife (chapa bem quente, pouco óleo  e um por vez!).

Se a visita já foi em casa várias vezes, tento fazer algo novo. Uma receita que a gente deu na revista (trabalho na Revista Casa e Comida) ou tirada de algum livro.

Quanto à arrumação da mesa, comecei a dar mais importância a ela depois que comecei a trabalhar na revista. Tento dar alguma graça, um jeito de pôr o guardanapo, um vasinho pequeno, que não atrapalhe a visão dos convidados. Mas sou melhor nas panelas do que na decoração. Quem entende dessa parte mesmo na revista é a Cláudia Pixu, nossa editora executiva. 

B.A. Que dicas daria para quem está começando o aprendizado na culinária?

P.O. Cozinhe sem pressa. Coloque uma música. Comida boa é gostosa desde a fase de preparação, cozinhar em casa não deve ser estressante.

B.A. O que você está achando desta febre dos reality shows sobre gastronomia? Tem acompanhado?

P.O. Puxa, confesso que vejo só um pouquinho, pra não ficar de fora, mais por dever profissional. Gosto mesmo é  de comida ao vivo.


B.A. Além de bonita e competente, Patricia é de uma delicadeza e gentileza impressionantes. Tanto que aceitou falar para esta publicação obscura e em início de carreira. Muitíssimo obrigado pelo carinho!