Desfile da Dior - Um Milhão de Flores




Cinco grandes salões de uma elegante mansão parisiense foram o palco de um memorável desfile de moda da maison Dior. O evento marcou a estreia do estilista belga Raf Simons como diretor criativo da tradicional marca francesa, apresentando a coleção outono/inverno 2012.




Os aposentos da suntuosa residência tiveram suas paredes revestidas com um milhão de flores, dentre elas, rosas das mais diversas colorações, peônias, dálias, delfínios azuis e orquídeas brancas. Uma gigantesca operação de logística foi montada para que os salões pudessem abrigar tamanha variedade de flores frescas, a tempo do desfile.




Todo o processo começou três dias antes do evento. Do chão ao teto, as paredes do imóvel receberam uma camada de espuma floral umedecida. Paralelamente, um milhão de flores de corte começaram a ser pré selecionadas e separadas por aposento, madrugada adentro. Nas primeiras horas da manhã, rumaram ao casarão acondicionadas em diversos caminhões refrigerados.




A partir deste momento, iniciou-se uma corrida contra o tempo, com dezenas de artistas florais encarregados de distribuir estrategicamente as diferentes flores de acordo com o tema de cada salão. Apenas o processo de colocação das flores nas espumas florais demorou dois dias. Elas não foram simplesmente espetadas nos suportes, houve toda uma preparação da superfície com musgo, para um melhor acabamento.




Neste evento memorável, as flores não serviram apenas como decoração. O estilista Christian Dior tinha paixão por flores e jardins. Segundo o designer Raf Simons, que comandou o espetáculo, a decoração floral atuou como uma metáfora da coleção inteira das peças apresentadas, uma homenagem à 'Flower Woman' de Dior.




A seguir, as flores utilizadas em cada salão: 

Salon Bleu: Delfínios
Salon Dior: Peônias, Rosas, Zínias, Dálias, Campânulas, Achilleas (Mil Folhas)
Salon Jaune: Solidago (Tango)
Salon Blanc: Queen Anne’s Lace (Flor de Cenoura), Orquídeas, Pipettes
Salon Rouge: Orquídeas, Celósias, Rosas, Achilleas










Arte em vidro - Ovo de ouro


Escultura em vidro do artista plástico Jack Storms
Escultura em vidro do artista plástico Jack Storms

O vidro vem sendo manipulado e moldado pelo homem ao longo de milênios. Pequenas obras de arte em vidro já eram produzidas por civilizações que habitavam as regiões entre os rios Tigre e Eufrates, na antiga Mesopotâmia.

Após atravessar séculos marcando presença nas culturas egípcia, fenícia, grega e romana, a arte em vidro encontrou seu apogeu em meio aos canais da Sereníssima República de Veneza, Itália, já no século XVIII. A partir deste momento histórico, as esculturas em vidro de Murano ganharam o mundo todo e são, ainda hoje, referência de beleza, bom gosto e sofisticação.

As esculturas em vidro clássicas costumam ser obtidas a partir de grãos de areia fundidos sob altíssimas temperaturas. Na contramão desta tradição, vem ganhando espaço a técnica de esculpir o vidro a frio. Um dos mais renomados artistas especializados nesta arte é o californiano Jack Storms. 

As peças deste artista plástico nascem a partir de pequenos blocos de vidro, que são cuidadosamente cortados, laminados e lapidados à exaustão. Depois deste processo, os fragmentos são unidos com uma cola especial, completamente transparente, para então serem novamente cortados e lapidados. Todo o processo é realizado em temperatura ambiente, não há calor envolvido.

A construção destas peças não é aleatória. Jack Storms vale-se das relações estabelecidas pela sequência de Fibonacci, concebida pelo matemático italiano de mesmo nome, para dar vida e forma a cada uma de suas esculturas óticas. Devido à qualidade do material utilizado, geralmente o cristal ótico e o vidro dicroico, o resultado é uma obra de arte que extrapola as três dimensões, refletindo e refratando a luz em todas as direções, desmembrando-a em todos os componentes do espectro visível.

Dentre as inúmeras belíssimas esculturas em vidro criadas por Jack Storms, está o ViviOvo D´Oro, cuja foto ilustra este artigo. Trata-se de um hipnotizante ovo de cristal contendo fragmentos de ouro, ricamente esculpido e cujo interior foi milimetricamente lapidado. A peça foi batizada pela esposa do escultor, Vivian, que é brasileira.



Quando as orquídeas se vão


Orquídea sapatinho
Orquídea sapatinho

Desde pequeno, tenho um medo irracional de perder coisas e pessoas. Mal conseguia entender como se ganhava dinheiro e já tinha pavor de ficar pobre. Com relação a objetos, tenho uma índole acumuladora, assim como minha mãe, muito embora me esforce continuamente no sentido de adotar um estilo de vida mais minimalista. Foi com muita obstinação que me livrei de várias quinquilharias que vinha guardando há décadas.

Neste contexto, foi de extrema importância participar do projeto Desapegão, concebido e levado a cabo pelo jornalista Márcio Oyama, do blog 365. Embora não tenha adquirido nenhuma peça nova de roupa durante o ano passado, acabei me desfazendo de uma pequena montanha de vestuário e calçados. Foi uma incrível sensação de alívio e dever cumprido. Apenas fiquei com pena de quem eventualmente tenha recebido as doações, já que muitas peças, embora em bom estado, somente teriam sido apropriadas no milênio passado.

Frente a este background, não é de se espantar que minha relação com as orquídeas que cultivo no apartamento seja das mais complicadas. Logo que comecei a colecioná-las, passei por um surto consumista sem precedentes. Com a nobre desculpa de que se tratava de um aprendizado, adquiria orquídeas loucamente, quer seja em exposições, garden centers, feiras, pela internet e até no supermercado. Andava pela rua olhando para cima, na esperança de ver alguma orquídea encarapitada nas árvores da vizinhança. Também lançava olhos cobiçosos em direção às orquídeas dos condomínios da redondeza. Uma vergonha...

Só não fui à falência porque, muito cedo, descobri que não era tão trivial cuidar de orquídeas, principalmente em apartamento. Mal dava conta de uma mini samambaia. No início, tudo o que eu sabia era que existia orquídea branca, orquídea amarela, pintadinha, orquídea chocolate, coisas do tipo. Até orquídea azul eu achava que existira. Junto com a fama de louca das orquídeas, fui construindo o perfil de serial killer destas pobres criaturas.

Por não saber como cultivar orquídeas apropriadamente, decidi parar de comprá-las, até que a mortandade estancasse. Foi um período extremamente importante de aprendizado, que comecei a compartilhar no blog Orquídeas no Apê e não parei mais.

Hoje, confesso que ainda mato uma quantidade considerável de orquídeas, mas coloco a culpa na varanda do apartamento que, definitivamente, não é o local ideal para cultivá-las. Só o faço por teimosia. Além disso, passei a valorizar plantas comuns, resistentes, mas igualmente belas. Aprendi a apreciar a delicadeza de um simples trevo roxo, por exemplo.

Com tantas condições adversas, é sempre uma dor quando alguma flor parte, como é o caso da orquídea sapatinho na foto de abertura deste artigo, fazendo a lady vintage. Apesar da tristeza, sigo acreditando que minha vida tornou-se infinitamente melhor na companhia destas plantas. Além disso, com as orquídeas, temos sempre a esperança de que elas retornem no ano seguinte.